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Com abatedouro público interditado, comércio de carnes em Monsenhor Tabosa está clandestino

Página Aberta – Informação e Realidade

 Imagem meramente ilustrativa


Por falta de estrutura e condições adequadas de higiene, técnicos da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), interditaram, em julho de 2018, o abatedouro público de Monsenhor Tabosa. Antes disso, o Ministério Público Estadual (MPCE) chegou a expedir ação civil pública recomendando a reforma do equipamento, que foi deferida pelo Poder Judiciário, o município por sua vez, recorreu da decisão.

Para garantir que o abatedouro não fosse usado sem as exigências da Cemace, o MP recomendou a sua total desativação, tendo sido parcialmente demolido em março deste ano.

Desde então, as carnes dos animais bovino, suíno e caprino, destinados ao consumo humano, para a população de Monsenhor Tabosa, vem sendo abatidas de forma clandestina.

O prefeito de Monsenhor Tabosa, Jeová Madeiro, explicou ao site Página Aberta que o município não possui recursos para a reforma completa do abatedouro no padrão exigido pela Semace, e que os custos inviabiliza a manutenção do local.

Jeová também disse que fez uma pesquisa e constatou que em toda a região, a única cidade que possui abatedouro funcionando é Nova Russas, as demais estão na mesma situação, abatendo animais de forma clandestina.

Em reunião com os marchantes, há alguns meses atrás, propus como alternativa o seguinte: que a prefeitura disponibilizaria veículos para que os animais fossem transportados para serem abatidos na cidade de Nova Russas, bem como o transporte dos animais já abatidos em veículo com câmara frigorifica, isso numa escala de duas a três vezes por semana, mas a maioria não aceitou; o que podemos fazer é colocar a equipe de vigilância sanitária do município para fiscalizar as carnes que a população consome,” esclareceu Jeová


Riscos


Para o médico veterinário, Henrique Veras, o consumo de carnes sem fiscalização, sem procedência, é risco total para a saúde das pessoas, existem várias doenças passiveis de transmissão para o ser humano, podendo ir desde uma simples dor de barriga até uma doença séria que pode levar a óbito, alerta.


Concessão


Já o Secretário Municipal de Agricultura de Monsenhor Tabosa, Sérgio Curcino, ressalta que os abatedouros públicos não recebem verbas exclusivas, resultando em déficit financeiro, porque a manutenção se torna muito cara; “em Monsenhor Tabosa, a despesa mensal da prefeitura com o abatedouro era de R$ 15 mil”, disse.

Sérgio ressalta que essa situação não ocorre apenas em Monsenhor Tabosa e nos municípios da região dos Inhamuns, segundo ele, aproximadamente 90% dos municípios do Ceará não possuem licença do estado para manter abatedouros públicos em funcionamento, pois não possuem o Certificado de Inspeção Estadual – CIE. “A saída para esse impasse seria a implantação de abatedouros particulares, onde o município dá uma concessão (licença), com contrato de funcionamento, por um determinado período, com critérios regulamentados em lei”, finaliza Sérgio.

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