Cidades

Taboense grava documentário com a opinião do sertanejo sobre a covid-19

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 Léa Barbosa. Imagem: Aurélio Mesquita


O taboense Aurélio Mesquita, diretor de teatro, apresenta seu mais novo trabalho, o documentário intitulado: Na pandemia do Covid-19, o sertão também tem opinião! Supervisionado e dirigido pelo próprio Aurélio, o documentário traz além da opinião dos sertanejos sobre a doença covid-19, um recorte de como a cultura impacta a vida das comunidades que vivem no interior do Ceará e nos sertões do Brasil de modo em geral.

Aurélio não é um marinheiro de primeira viagem, já participou de vários trabalhos, inclusive na televisão; algumas de suas atividades são: Criação e direção da ​Via Sacra da Rocinha, hoje, ​patrimônio cultural e imaterial da cidade do Rio de Janeiro​; Direção da peça ​Decadência com Elegância​, de José Luiz, apresentada na Fazenda São Roque para escolas particulares do Rio de Janeiro; Participação na novela Mandacaru da extinta Rede Manchete, dirigida por ​Walter Avancini​; Participação no filme “Quase Dois Irmãos”. Filme Brasileiro de 2005 dirigido por ​Lúcia Murat​.


Veja a palavra do autor e o documentário: Na pandemia do Covid-19, o sertão também tem opinião!


Aqui no sertão estamos entregues ao acaso. O deserto de políticas públicas para jovens, crianças e adolescentes é um retrato fiel do absoluto abandono. A nós não é permitido opinar em nada, nem mesmo nos projetos que seremos futuros cobaias querem saber da nossa opinião.

O documentário é um apanhado das respostas de sete perguntas elaboradas por mim e feitas a quatro sertanejos e duas sertanejas sobre a pandemia do covid-19. O sertão também tem opinião, é uma maneira de pedir socorro, de provocar, de denúncia…

Vendo uma entrevista do Lirinha na internet, encontrei a palavra certa pra falar do meu sertão. (Interlandia) ela vem de uma palavra em inglês, interlend, significa lugar distante dos portos.

No sertão nós recebemos todas as notícias da metrópole, através dos jornais, dos rádios, dos canais de televisão… Mas nós não conseguimos mandar a mensagem de volta, não existe as duas vias, só recebemos.

Teve um tempo que eu achava que isso era uma característica aqui do nosso estado, depois viajando pelo Brasil percebi que é uma característica do meu país, e talvez do mundo todo, ser voltado de costas pro seu interior. As metrópoles olhando para outras metrópoles maiores e sem comunicação com esse interior.

Na pandemia do covid-19, o sertão também tem opinião! A palavra é do sertão.

A responsabilidade de quem lida com cultura é muito grande, porque a cultura é quem ilumina o caminho, a cultura não é perfumaria. Ninguém brinque com o problema cultural.

Eu não posso admitir que apresentem como moderno um tipo de arte que não é nem moderno nem antiquado porque não é nem arte. Essa maneira igualizada de tratar tudo pelo gosto médio, é um horror!

Parem de impor esse lixo cultural que espalham por aí como cultura!

Mas mesmo sob toneladas de lixo cultural despejadas diariamente pelos meios de comunicação de massa sobre este solo, ainda há sementes aqui, que teimam e nascem.

É nestas sementes que ponho toda minha esperança, não a esperança de esperar como creem alguns, mas a esperança de almejar, sonhar, agir, buscar… A esperança no êxito e não no sucesso!

Nestas andanças para colher depoimentos deste documentário, conheci muitas pessoas, algumas se recusaram à entrevista, mas sempre houve diálogo. Sertanejos e sertanejas que não se entregaram aos modismos do mundo líquido, e ainda têm um naco de crítica ao jeito como nos tratam os governos e o mercado.

Este documentário não tem nenhuma ambição de estar em negrito no código canônico da vez, ele é o que é, uma opção onde podemos registrar nossas questões e opiniões.

Aurélio Mesquita

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